Depois de lançar "The Boatman's Call", o seu álbum de 1997, Nick Cave sentiu nojo e vergonha. A uma fã finlandesa, explica porquê

Nick Cave explicou, numa carta a uma fã finlandesa, por que razão se sentia "repugnado" por "The Boatman's Call", o álbum que lançou em 1997.

No seu site, o australiano explica que escreveu aquele disco após sofrer alguns desaires pessoais, exprimindo-se de forma mais autobiográfica do que fora habitual até então.

"Eu não queria, de todo, escrever um álbum pós-separação amorosa, mas aqueles acontecimentos abalaram os alicerces da minha escrita e assumiram o controlo", recorda.

"Depois de o disco sair, senti-me de certa forma envergonhado. Senti que me tinha exposto demasiado. De repente, aquelas canções hiper pessoais tornaram-se amplificações indulgentes do que eram problemas comuns. Todo aquele drama e tragédia 'enojaram-me', como disse em entrevistas na altura."

Com o tempo, porém, Nick Cave percebeu que essa vergonha e esse nojo resultavam "do medo e da vergonha sentidos por alguém que estava a nadar em águas incertas, entre dois barcos - canções ficcionais e canções autobiográficas ou confessionais. Uma mudança radical na minha escrita estava a acontecer e essas mudanças podem deixar-nos extremamente vulneráveis, defensivos e reativos."

Hoje, Nick Cave já não vê o álbum de 'Into My Arms' com os mesmos olhos. "Foi o salto necessário para um tipo de escrita que acabaria por se tornar exclusivamente autobiográfica", reconhece, dando o exemplo dos álbuns mais recentes, "Skeleton Tree" e "Ghosteen".

Simpaticamente, Nick Cave confessa ainda à sua fã, Elina, que ainda não compreende bem o verso inicial de 'Into My Arms', "I don't believe in an interventionist God".


Deixe seu Comentário